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Casos de síndrome respiratória grave em bebês sobem em quatro regiões do país

Fiocruz aponta alta nos internamentos por vírus sincicial respiratório em menores de dois anos. Influenza A e covid-19 seguem com impacto entre idosos.

16/04/2026 às 20:35
Por: Redação

Nos últimos levantamentos, houve um aumento no número de ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças com menos de dois anos em quatro regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Boletim InfoGripe divulgado na quinta-feira, dia 16, apontou que a elevação dos internamentos entre os pequenos está relacionada principalmente ao vírus sincicial respiratório (VSR), que atualmente é o principal responsável pelos episódios de agravamento na faixa etária dos bebês.

 

O estudo se refere à Semana Epidemiológica 14, correspondente ao período entre 5 e 11 de abril. Dados também indicam que as hospitalizações graves por covid-19 seguem em diminuição no território nacional.

 

Tatiana Portella, pesquisadora vinculada ao Boletim InfoGripe e ao Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), destacou que o VSR é uma das maiores causas de internação por síndrome respiratória grave em crianças pequenas e aparece com frequência como causa de bronquiolite.

 

Segundo ela, é fundamental que gestantes a partir da 28ª semana recebam a imunização contra o VSR, com o objetivo de proteger os recém-nascidos nos primeiros meses.

 

Com o registro de mais hospitalizações por influenza A em vários estados, a pesquisadora acrescentou que também é importante que todos aqueles que integram os grupos prioritários e ainda não se vacinaram busquem uma unidade de saúde para receber a dose anual da vacina.

 

Panorama dos registros nos estados e regiões

 

Segundo o novo boletim, o panorama no Brasil mostra estabilidade nas tendências de curto e longo prazo relacionadas aos casos de SRAG. No entanto, ainda há 14 estados com índices de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, sendo observada uma tendência de crescimento a longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 14.

 

Esses estados são: Acre, Pará e Tocantins (região Norte); Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia (Nordeste); Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás (Centro-Oeste); Minas Gerais e Rio de Janeiro (Sudeste).

 

O boletim detalha ainda que a alta de casos atribuída ao vírus sincicial respiratório foi identificada em toda a região Centro-Oeste e Sudeste, além de Acre, Pará, Tocantins e Roraima no Norte, bem como Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia no Nordeste.

 

Além disso, o documento aponta que as infecções por influenza A continuam apresentando crescimento em boa parte do centro-sul do país, incluindo Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e também em Paraíba, Alagoas e Sergipe (Nordeste), bem como Amapá, Acre e Rondônia (Norte).

 

Em contrapartida, os registros de SRAG relacionados à influenza A seguem tendência de queda nos estados do Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco (Nordeste), além do Pará e do Rio de Janeiro.

 

No que diz respeito ao rinovírus, a maior parte do país apresenta indícios de estabilização ou redução no número de casos associados a esse agente, exceto em Pará e Mato Grosso, onde o aumento persiste.

 

O boletim também informa que 14 capitais apresentam níveis de incidência de SRAG entre alerta, risco ou alto risco, com indicação de crescimento nas últimas seis semanas até a Semana Epidemiológica 14. São elas: Rio Branco, Belém, Palmas, Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Teresina, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.

 

Impactos por faixa etária: incidência e mortalidade

 

Nas oito semanas epidemiológicas mais recentes, a incidência e a mortalidade semanais médias mantiveram o padrão recorrente de afetar com maior intensidade as faixas etárias mais extremas.

 

O levantamento revela que as crianças pequenas concentram maior incidência de SRAG, com destaque para infecções por VSR e rinovírus. Já entre os idosos, a mortalidade permanece mais alta, predominantemente associada à influenza A e à covid-19.

 

Os registros de SRAG por influenza A têm afetado mais intensamente crianças de até quatro anos de idade e idosos. Contudo, em relação a mortes, o maior impacto ainda é percebido na população a partir de 65 anos.

 

No ano epidemiológico de 2026, o total de casos notificados de SRAG chegou a 37.244. Desses, 15.816 (correspondendo a 42,5%) tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório, 14.723 (39,5%) apresentaram resultado negativo e pelo menos 3.990 (10,7%) aguardam resultado.

 

Dentre os casos positivos de 2026, o Boletim InfoGripe detalha que 41,1% correspondem a rinovírus, 25,5% a influenza A, 17,4% a VSR, 10,2% a Sars-CoV-2 (covid-19) e 1,7% a influenza B.

 

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição proporcional entre os resultados positivos foi de 33% para rinovírus, 32,2% para influenza A, 26,3% para VSR, 5,5% para Sars-CoV-2 (covid-19) e 2,4% para influenza B.

 

Entre os óbitos registrados no mesmo período, a frequência desses vírus entre os casos positivos foi de 40,8% para influenza A, 26,9% para rinovírus, 23,3% para Sars-CoV-2 (covid-19), 5,3% para VSR e 4,1% para influenza B.

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